sábado, 3 de maio de 2014

Saída de campo: Heron Island

Faz tempo que não escrevo aqui né? Vou tentar compensar hoje!
Na UQ existem algumas materias onde vc pode fazer saídas de campo, não importa se você é da Bio ou não.
Uma dessas matérias é a Australia's Marine Environments, com 0 australianos, 70% norte americanos, 15% brasileiros e o resto de todas as partes do mundo (desde Noruega, Suécia até Portugal e Chile), ela tem duas saídas de campo: uma pra Stradbroke Island (que eu não fui pq já fui pra lá varias vezes) e outra pra Heron Island. Não é barato (690 doletas) mas sai mais barato do que ir conhecer a Grande Barreira de Corais por sua conta e risco, já que inclui viagem, alojamento, comida e equipamento.
Bom, como já falei, Heron Island é uma ilha que fica na Grande Barreira de Corais, há 80 km da costa (Gladstone). Lá tem uma estação de pesquisa da universidade e um resort, não existe fonte de água potável, toda água utilizada lá foi dessalinizada e para energia elétrica eles possuem geradores e aquecedores solares, sendo que na estação de pesquisa a água usada pra dar descarga é reciclada. A ilha é bem pequena, nós demos a volta nela em cerca de 30 minutos, parando pra ver as tartaruguinhas indo pro mar (ou pro resort).
É uma viagem longa e cansativa, são cerca de 8 horas de ônibus (sem banheiro ou assentos reclináveis) e mais 2 horas e pouco de barco. Para os que têm estômago fraco como eu, a agência do barco dá comprimidos de gengibre (eu não sabia, mas gengibre previne enjôo).

Heron Island e seu recife em volta
HMAS protector foi um navio utilizado durante as duas guerras mundiais, em 1943 bateu em um rebocador e foi levado até Heron Island onde afundou em 1945. Durante o mergulho noturno encontrei uma tartaruga dentro dele :)

Chegando lá nós almoçamos, guardamos nossas coisas nos alojamentos e já partimos para o primeiro mergulho de snorkel. Logo de cara já vi tubarão (galha preta - Carcharhinus melanopterus) e tartaruga marinha (acredito que seja a verde (Chelonia mydas), além de peixes de infinitas cores.
Choveu um pouco nos dois primeiros dias, mas mesmo assim a água estava com visibilidade ótima, e temperatura agradável (com roupa de neoprene, óbvio).

Carcharhinus melanopterus - Galha preta

Nessa noite demos a volta a ilha, com as lanternas desligadas, pra evitar a interferência da luz na ida das tartaruguinhas para o mar, porém vimos várias indo em direção às luzes do resort, o que é uma pena :( Também encontramos um caranguejo comendo uma tartaruguinha, dá uma peninha...
Ao terminar a caminhada fomos no trapiche (cais) ver se conseguíamos ver algo no mar, e vimos muitos tubarões e sépias que mudavam de cor, mas como estava apenas com o celular, e de noite, impossível tirar foto.
Durante a madrugada acordei pra ir ao banheiro e encontrei uma tartaruguinha indo em direção às luzes do banheiro :s apesar da prof. ter falado pra não botar elas no mar, não resisti e coloquei pelo menos na estradinha de areia que levava ao mar, mas quando acordei de manhã e olhei pro telhado do refeitório, vi uma gaivota com uma no bico :(
No segundo dia teve mergulho de manhã de novo, caminhada no recife (reef walking) durante a maré baixa e o mergulho noturno. Foi cansativo, mas foi muuuito legal! O noturno é legal pra onhecer e ver alguns animais que não aparecem muito durante o dia, mas não tem aquela diversidade de peixes coloridos como tem durante o dia.

Esse pepino é demais! Conhecido pelos aussies como salsicha-queimada (Holothuria edulis)

Moréia lindona (seria Gymnothorax fimbriatus?)

Coral roxo <3
Escondidinha (Chelonia mydas)
Grupo de mergulho noturno

Tartaruga embaixo do navio naufragado

No terceiro dia, tivemos que pegar no batente. Eu estava no projeto com peixes borboleta, então depois de uma reunião bastaaante demorada, fizemos nossa primeira coleta de dados: tínhamos que identificar as espécies que vinham se alimentar em corais (Acropora nobilis) vivos ou mortos, ver as diferenças da comunidade de peixes borboletas entre os corais mortos e vivos, e ver do que estavam se alimentando (pólipos dos corais, algas ou invertebrados). Pra isso tínhamos que ir em duplas e enquanto um filmava o coral, o outro anotava em um papel especial para usar na água as espécies que entravam no nosso quadrante e o que estavam comendo. Isso acabou perto do pôr do sol e pude assistí-lo de dentro da água, foi bem bonito.
Chaetodon rainfordi - uma das centenas de espécies de peixe borboleta

Quarto dia e tive que acordar as 5:30, botar a roupa de mergulho e partir pra água, já que a maré alta era as 6 da matina e tínhamos que aproveitá-la pro último dia de coleta de dados pro nosso projeto. O resto da tarde foi para analisar nossos dados e depois pegamos um barco para ir conhecer o outro recife perto de Heron Island, e ver o quanto ciclones e tempestades destroem os corais. Água quentinha e uma infinidade de peixes lindos, muitos peixes borboletas que não vimos durante nossa coleta de dados.

Corais e peixinhos

Vários peixinhos

Meu preferido - Thalassoma lunare

Essa foi nossa última noite na ilha, então aproveitamos pra assistir o pôr do sol no trapiche e depois ficamos conversando na areia da praia por horas, o céu estava muuuuito estrelado, já que estávamos bem longe da luminosidade das cidades. Podíamos ver a via láctea e consegui contar 7 estrelas cadentes! Deu pra fazer vários pedidos hahaha


Último dia, tivemos que arrumar tudo, limpar nosso quarto, devolver os equipamentos e nos despedirmos da ilha, fomos à praia e descansamos antes de dar a hora pra pegar o barco e partir rumo à Gladstone, pegar o busão de novo e voltar pra Brisbane.

Shark Bay

Concluindo meu texto, quem tiver a oportunidade de vir pra Brisbane e estudar na UQ, não deixe de fazer esta matéria, vale muito a pena e vai ser muito difícil de conseguir ir pra Heron Island se não for pela universidade, já que a diária no resort é no mínimo $318 dólares por quarto.
Até a próxima!


sexta-feira, 7 de março de 2014

Diário de viagem: uma aventura em Whitsundays

No mês passado eu e meu namorado fizemos um passeio para Whitsunday Islands, com direito à mergulhos, cobras, fome e falta de banho! Literalmente, foi uma aventura!
No dia 15 de fevereiro acordamos atrasados pois meu celular resolveu não despertar (tudo bem que a culpa foi minha pq era sábado e ele só desperta de segunda a sexta e esqueci de mudar essa configuração) e a coitada da nossa "taxista" (brasileira que faz transfers da casa da pessoa para o aeroporto e vice-versa por um preço fixo, para complementar a renda) teve que esperar a gente por algum tempo na frente do prédio enquanto nos arrumávamos correndo. A sorte é que eu acordei 3 minutos depois que ela mandou msg no meu celular! Se eu não tivesse acordado, teríamos perdido o vôo!
Bom, depois dessa emoção logo no começo, pegamos o vôo até Hamilton Island, uma das ilhas do arquipélago de Whitsundays, que fica na entrada da Grande Barreira de Corais.
Hamilton Island é uma ilha forrada de resorts, um dos lugares mais caros da Austrália, e por isso ficamos apenas o tempo de pegar um barco para Airlie Beach. 
Aeroporto de Hamilton Island
Pousadas/Resorts em Hamilton Island
Dormimos a primeira noite lá no Beaches Hostel, custa $18 dólares por noite por pessoa, em um quarto misto com 10 pessoas e um banheiro. Era bem sujinho e barulhento, mas só precisávamos para passar a noite, pois no dia seguinte já iríamos acampar em Whitsunday Island.
Logo depois do almoço partimos pra Whitehaven Beach, uma das praias dessa ilha paradisíaca, e a mais movimentada durante o dia. 
Montamos nosso acampamento mais para dentro da matinha frontal, parece uma restinga. Neste dia tínha mais 3 outros grupos de pessoas acampando. Nossos primeiros vizinhos.
Chegando lá descobrimos que o banheiro era apenas um vaso ecológico, desses que é uma privada com um buraco no fundo. Ou seja: sem chuveiro! Teríamos que usar as garrafinhas de gatorade que levamos para tomar banho, racionando os 40 litros de água que tínhamos disponível em dois galões!
Nosso acampamento
Nossa janta foi uma lata de carne com cogumelos pra mim e uma de carne com bacon pro Longo. Tivemos que colocar a lata direto no nosso fogãozinho portátil, já que eu tinha esquecido de comprar uma panela funda pra esquentar a comida enlatada, que parecia uma sopa hehehe.
Inventamos um banheiro mais privativo pendurando as toalhas numa corda pros nossos vizinhos não verem a gente. Pra não gastar água, não lavei meu cabelo (mulheres sabem o que é não lavar o cabelo depois de um dia de mar e sol). Fomos pra dentro da barraca assim que o sol se pôs, ou seríamos devorados pelos mosquitos australianos, e logo começou a chover. Quando senti que precisava ir ao banheiro, ouço as nossas vizinhas gritando: não vão pro banheiro, tem uma cobra lá! Cuidado com a cobra.... elas gritavam. Os meus olhinhos brilhavam, levantei no mesmo segundo e corremos para o banheiro ver a cobra! Lindíssima, grandinha, uma Python! 
Depois de tirar fotos e ir realmente ao banheiro, começou uma chuva muito forte e voltamos correndo molhados para a barraca. Ou seja: logo na primeira noite já sujamos o colchão com terra. 
Python lindona
Nessa noite choveu muito, de dar medo. Será que a barraca ía aguentar? Água entrava pelo zíper e quando o vento erguia um pouco da capa impermeavel da barraca. Muitos raivos e tudo o que eu conseguia pensar era no ciclone que havia passado por ali cerca de 10 dias antes! Mas sobrevivemos, a barraca não inundou, e no dia seguinte tinha um sol forte. Nossos vizinhos foram embora e um grupo de asiáticos havia chegado. 
Mais um dia de praia e mergulho com snorkel. Apesar de ali não ter corais, tem muitos peixes.
Enquanto eu estava sozinha na água, descansando um pouco, vi uns peixes pularem há uns 10 metros de mim. Pensei: opa, deve ser um cardume... resolvi nadar até ali para ver, mas na metade do caminho parei: e se estiverem pulando por causa de um tubarão? Alguns segundos depois passa na minha frente um tubarãozinho, de mais ou menos uns 90cm. Passou e foi embora, e eu idiota congelei, não quis enfiar minha cara na água pra ver ele embaixo da água :( E logo nesse dia que eu não tinha levado a câmera pra não gastar toda a bateria!
Almoço do dia: miojo nas latas usadas no dia anterior e champignon.
Janta: Pão de forma com atum e de sobremesa, pão com nutella :D
Vai um miojinho aí? =D
Dessa vez lavei meu cabelo, já estavam formando uns dreads hehehe
Na segunda noite não choveu, então fui na praia e olhei as estrelas por um tempo, sem luz artificial nenhuma na ilha, o céu estava de tirar o fôlego, e a lua iluminava a praia. Lindíssimo.
Neste dia conhecemos alguns de nossos vizinhos, como a Dona Clotilde, o Charlie, Bill e Jorge (pronuncia-se Rôr-re). Eles estavam sempre por perto :)
Como íamos pra barraca cedo, aproveitávamos pra ficar lendo enquanto ouvíamos o barulho dos animais e das árvores com o vento.
Dona Clotilde
Bill
Charlie - Blue tongue skink (Tiliqua sp.)
Visita - Lace monitor (Varanus varius)

No dia seguinte os vizinhos asiáticos foram embora e ficavamos sozinhos na ilha durante o resto da semana.
Almoço: mais comida enlatada: carne com cogumelo e macarrão a bolonhesa.
Janta: pão com atum e pão com nutella.
Durante a tarde choveu bastante e eu resolvi tomar um banho de chuva, enquanto o Longo ficava lendo dentro da barraca. Fiquei ali na praia sozinha, olhando o mar enquanto a chuva caía e lavava minha alma. Não conseguia esconder o sorriso enorme de felicidade que eu sentia naquele momento. 
No quarto dia fomos fazer a trilha até uma outra praia, chamada Chance Bay, infinitos lagartos no meio do caminho, aranhas enormes, inúmeros cantos das aves, e chegando lá, uma praia linda e deserta! 
Fizemos snorkel lá, vários peixes também!

Arraia - Whitehaven beach



Chance Bay
Voltando ao acampamento percebemos que tínhamos trazido comida de menos. 
Almoço: miojo
Janta: era pra ser o ultimo pacote de miojo e uma lata de feijão. Mas a desastrada derrubou a lata do miojo e eu e o Longo, dois gordinhos, tivemos que dividir uma lata de feijão de janta. Fomos dormir de barriga roncando.
Nessa noite vagalumes visitaram nossa barraca, ficamos vendo eles por horas até adormecer.
Nosso último dia na ilha, sem nada pra comer. Ficamos um pouco na praia e começamos a desmontar o acampamento. Era quase uma hora da tarde quando nosso barqueiro veio buscar a gente.
E assim deixamos a ilha paradisíaca. Mas voltamos pra lá no dia seguinte =D
Quando chegamos no hostel deixamos as mochilas e nem queríamos tomar banho (apesar de parecermos mendigos e cheirando como alguns australianos) fomos correndo comer. Já era mais de 3 horas da tarde.
No dia seguinte, fizemos um passeio de barco, voltamos à Whitehaven beach, mas na outra ponta, onde tem as areias mais puras do mundo, com 98% de sílica, onde é proibido acampar (e por isso não ficamos lá). Pegamos uma trilha que leva até o mirante, e sem sombra de dúvidas, foi a paisagem mais linda que já vi na minha vida. Depois descemos até a praia, com as águas transparentes víamos as arraias passando e vários peixinhos. A areia é tão branca que reflete o sol e queima a pele muito mais do que numa praia normal.



Depois voltamos pro barco e fomos rumo à Hook Island, fazer snorkel no recife de corais que tem ali.
Fascinante! Perdi as contas de quantos peixes diferentes tinham ali, quantas cores eu vi!
Ficamos quase duas horas mergulhando ali e depois voltamos pro hostel.







No dia seguinte pegamos o barco de volta pra Hamilton Island e de lá voltamos pra casa.

Ufa! Acho que isso é tudo, beijos pra quem leu até aqui 
=D

PS: se vcs estão se perguntando pq nadávamos usando roupas de lycra, é pq agora é época de águas-vivas e se fôssemos pegos por uma irukandji ou box jellyfish, esta que vos fala já teria passado pra outra dimensão :)



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Australia x Brasil

Hoje em vez de falar diretamente das minhas "aventuras" por aqui, vou fazer um pouco diferente.
Muitas pessoas criticam o Brasil como se fosse o pior país do mundo, e que os países de primeiro mundo são perfeitos. Mas essa é uma grande mentira.
Bom, primeiro quero falar um pouco das coisas boas daqui, ou seja, o que o Brasil deveria aprender com a Austrália.

1. Conviver e amar sua fauna, seja ela assustadora ou não

Lembra quando fizeram aquele episódio dos Simpsons em que eles vinham pro Brasil e os macacos estavam andando pela cidade? Lembram a revolta dos brasileiros, achando um absurdo dizerem que vivemos na "selva", em meio a animais selvagens? Pois é, olha que inversão de valores. Já pensou que legal se ainda tivéssemos uma fauna linda em meio aos ambientes urbanos? 
Aqui é assim. E é um orgulho pra eles ter tantos animais diferentes em meio à cidade. 
Todos os dias vejo cacatuas voando perto de casa, uma até fica no telhado do meu prédio. Papagaios também. Quantas vezes você já viu um papagaio silvestre voando em meio às cidades? Ainda mais a capital do estado, uma das cidades mais populosas da Austrália? E uma arara?
Não por aqui, a diversidade de aves é imensa... bush turkey (sim, você pode encontrar perus andando nas ruas), corvos do tamanho de galinhas, íbis, crested pigeon, rainbow lorikeet, magpie, passarinhos e mais passarinhos... E os mamíferos? Flying-fox (morcegos enormes), possums, gliders...
Enfim, pra mim absurdo não é ter macacos na cidade, é não tê-los mais.

2. Transporte público de qualidade e que funcione
Nem preciso nem dizer nada, né? 
Aqui o transporte pode até ser "caro", mas você tem várias vantagens e acabam saindo mais barato. Por exemplo, se você paga 9 viagens com seu cartão, o resto delas será de graça até segunda feira da semana seguinte. Então, por mais que você use transporte várias vezes, você só vai pagar por aquilo, e ainda pode ir pras praias sem pagar nada. Acho isso muito interessante, pois faz circular a economia. No Brasil as pessoas passam a semana inteira trabalhando, pega o onibus, vai pro trabalho, volta pra casa e pronto. No fim de semana se quiser sair passear vai ter que pagar mais transporte, então muitas vezes as pessoas preferem ficar em casa ou no máximo ir no barzinho não muito longe de casa.
Aqui você pode ir pra praia sem pagar nada, pode ir pro centro da cidade, pode ir pra vários lugares economizando no transporte e incentivando a economia local, seja tomando um sorvete na praia ou indo no santuário de coalas, no cinema, no teatro...
Aqui existem também transporte de graça pra alguns lugares, como o city loop e o city hopper.
Ah, e o melhor é que você tem várias opções. Você mora perto do rio? Pode ir de Ferry, vai pra um lugar longe do rio, pega um ônibus, quer chegar mais rápido? Vai de trem! Não tem mais ônibus de noite? Pega um táxi que não vai te custar o olho da cara como em SP ou Florianópolis....

3. Shuttle bus
Achei isso excelente! Não sei se todos os hotéis tem isso, mas nas cidades turísticas, os hotéis e hostels possuem uma van ou microonibus pra te buscar na rodoviaria ou aeroporto e depois te levam de volta. Além disso, no hostel em que ficamos em Hervey Bay eles levam e buscam pelo menos 3 vezes por dia os seus hóspedes ao supermercado. Quando eu soube disso, falei pra motorista que esse serviço é excelente, e ela disse que perderia clientes se não o fizessem, já que quase todos os hostels fazem isso.
Mas não são apenas os hostels/hotéis que fazem isso. Alguns lugares como o Australia Zoo também possuem este serviço de graça, assim como o ferry que leva até stradbroke island. Esses são apenas os que conheço, mas deve ter vários outros por aí.

4. Gentileza e educação
Todo mundo entra no ônibus e cumprimenta o motorista, e vice-versa. Ao sair do ônibus, agradecem. As crianças não fazem bagunça no ônibus ao voltar da escola, elas até levantam pra você se sentar no banco, já que é mais velha que eles. As pessoas te cumprimentam na rua, te ajudam se precisar. Outro dia eu estava parada no semáforo de pedestres na chuva, e uma pessoa com guarda chuva parou ao meu lado e o dividiu comigo até chegar na estação de trem. 
Ninguém buzina
Ninguém te olha com cara feia se demora pra achar as moedas pra pagar o trem quando percebe que seu cartão está sem crédito.
Não existe seleção natural na hora de entrar no trem/busão com pessoas se acotovelando para ter o seu lugar...

Tem várias outras coisas mas não vamos deixar tão feio assim pro Brasil... e eu já escrevi demais.

Vamos falar agora das coisas que a Austrália precisa aprender com o Brasil

1. Usar desodorante/tomar banho todo dia
Não sei qual destes é o problema, mas as pessoas fedem demais aqui. Do jeito que te dá ânsia quando está perto de alguém fedido.

2. Enxaguar a louça
Sério! O que os australianos tem na cabeça que não enxaguam o sabão da louça, será que eles gostam de comida com gosto de detergente? será preguiça? será que querem economizar água? Detergente é cancerígeno quando entra em contato com as mucosas!

3. Escovar os dentes após as refeições
Se você, brasileiro, for pego escovando os dentes no banheiro da universidade, vai ser observado com estranheza e cara feia. Acredite se quiser, pra eles nojento é escovar os dentes no banheiro da uni. Ou em banheiro de shopping, etc... 
Eles não gostam de dentista, ou dentista cobra caro demais aqui. Na sua maioria, australianos tem dentes amarelados e só vão ao dentista quando estão com algum problema, nada de limpeza anual.

4. Café
Se você gosta de chafé, aqui é o lugar. Você paga $3,50 por um café super aguado. Péssimo

5. Ônibus intermunicipais confortáveis
Pra ir pra Hervey Bay passamos 7 horas em um ônibus que parecia circular, com cadeiras que não reclinavam nem dois cm, apertado (o Dudu ficou com os joelhos apertados no banco da frente e até eu, no alto de meus 1,53, conseguia encostar meus joelhos no banco da frente! Deve ser por isso que os bancos não reclinavam), e cheeeeio de australianos fedidos! 

6. Almoçar
As pessoas aqui não almoçam, elas tomam um segundo café da manhã. Faz parte de seu cardápio: um sanduíche, ou uma torrada, quem sabe um muffin? E não pode esquecer do café (blérgh). Aí chegam em casa e se empanturram na janta, as 6 horas da tarde.

Bom, acho que por hoje é só!

Depois eu conto mais sobre Hervey Bay!

Beijos

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Entre uma despedida e um reencontro

Há pouco tempo conheci uma guria, já era tarde, era quase dia chamada Allana. Na verdade conheci há um pouco mais de tempo, quando ela me vendeu umas coisinhas que ela não iria mais precisar já que estava voltando pro Brasil. Logo ali já percebi que "nosso santo bateu", como ela diz, e até deslanchei a falar dos meus problemas com minha home stay!
Enfim, algum tempo depois disso eu a encontrei de novo no curso chato do CNPq/UQ e conversa vai conversa vem até descobrimos que tivemos os mesmos professores no ensino médio (um beijo pro tio Renato, Rubinho e cia.). Enfim, duas meninas do interioR de SP se entendem e depois de uma ida ao Mc Donalds ficamos amigonas :)



Sabe aquele tipo de pessoa fácil de conviver, engraçada, simpática, com gostos muito parecidos com o seu e que topa qualquer programa? É algo raro de se encontrar!
Mas agora ela foi embora, tá lá na Tailândia curtindo com o bem dela...
Mas não estou triste... por dois motivos: nossa amizade não acaba aqui... e o MEU bem vai chegar logo mais =D
Amanhã ele sai do RJ mas só chega aqui dia 21 (maldito fuso). Ansiedade a mil!
Pelo menos amanhã eu tenho saída a campo em Toowoomba, pra coletar "scale-insects", os bichinhos com que estou trabalhando no estágio. Depois posto fotos de lá!

Hoje finalizo com uma música :)
http://www.youtube.com/watch?v=zVZOYYjzuTo


"It’s going to be a cold winter
But I wont need the heat to keep me warm
As long as you wrap yourself around me
On christmas mornin’
Whether it’s now or later
Got to tell you before you go, that
Love is always in your favor
And now you know that
All i want for christmas...
All i want for christmas...
All i want for christmas is us..
All i want for christmas is us..."








quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Stradbroke Island

G'day mates!
Depois de tanto tempo resolvi postar aqui de novo!
Por incrível que pareça, fim de semestre aqui é entre outubro e novembro e durante estes meses fiquei com milhares de trabalhos e exames finais, além de um pouco de preguiça de postar aqui, confesso.
Além de tudo, tive que me mudar. Sugestão a todos que pretendem vir pra Austrália: não fiquem em home-stay. Ignorei esse aviso depois de tantas pessoas falarem pra fugir dessa, achei que comigo seria diferente e foi bem complicado. Apesar de eu nunca ter feito nada de errado, o simples fato de ficar no meu quarto estudando em um fim de semana ensolarado foi motivo pra discutirem comigo, e por eu ser uma pessoa muito quieta, eu provocava desconforto dentro da casa. Vai entender!
Mas enfim, agora estou morando num apartamento muito bom só esperando meu namorado vir pra cá e dividir o apê com ele!
Agora que acabaram as aulas estamos tendo um curso preparatório para a entrada no mercado de trabalho, proposto pelo cnpq pra impedir a gente de turistar por aí :p
Apesar de a idéia ser boa, aprender a atender telefone e enviar emails pelo gmail não era o que eu tinha em mente como necessário pra ser uma pesquisadora, mas beleza...

Agora vamos falar de coisas boas, vamos falar da nova Tekpix... não, pera...
Fim de semana passado fui pra Stradbroke Island pela terceira vez. Lá é um pedacinho do paraíso, tão perto de cidades grandes que é dificil imaginar como pode ser um lugar tão bonito e relativamente preservado. Relativamente pq lá dentro tem casas, lojas, mercados e etc. E apesar de tudo isso, a mata está lá e é bem preservada, o mar é limpo, as pessoas são conscientes e não querem destruir um lugar tão bonito como este.
Apesar de estar tão perto da costa, onde deságua o rio Brisbane que corta a capital de Queensland (que se fosse no Brasil seria um tietê da vida) a água continua limpa como podem ver nas fotos.
Na segunda vez que fui pra lá, fui com o pessoal do meu laboratorio pra fazer saídas de campo e fiquei alguns dias lá, foi demais! A UQ tem uma estação de pesquisa na ilha, com laboratorios e bibliotecas, além de alojamento onde os pesquisadores e estudantes podem ficar durante os trabalhos de campo!
Vou colocar algumas fotos pra ilustrar o lugar!

Neste lugar sempre tem tartarugas marinhas!

Vista para Main Beach

Bodyboard em Cylinder Beach

Olha a transparência dessa água!

Minha primeira vez "surfando" em bodyboard

À direita a estação de pesquisa, e à esquerda o alojamento

Brown Lake (água bem escura por causa do tanino das árvores)

Quem vier pra Austrália, não pode deixar de visitar. Pode não ser o lugar mais lindo daqui, mas é super fácil de chegar, não é tão caro e com certeza as belezas naturais de lá não deixam nada a desejar.
Pra quem quiser saber como chega, deve pegar um trem até a estação de Cleveland (que custa bem pouquinho) e lá pegar um onibus de graça que leva até o lugar onde vc vai pegar o Ferry, que pra estudante custa $15 ida+volta. Lá dentro da ilha tem ônibus que vc pode pegar e paga $5 podendo andar nele o dia inteiro quantas vezes quiser. Mais informações em http://www.stradbrokeferries.com.au/

Além de todas as belezas cênicas, tem a vida animal que é incrivel. Em apenas um dia vi canguru, baleia, tartaruga marinha e golfinho além de diversas aves. Também já vi coala lá, mas não foi no mesmo dia :)

Tartaruga-marinha (não sei a sp.)
Baleia-jubarte dando tchauzinho pra gente
Canguru assustado com a nossa presença
Pelicanos
Corais e peixe
Corais e peixe
Fiquei com uma vontade enorme de comprar uma casinha lá e ficar pra sempre!
Bjs e até o próximo post :)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Baleias, Sea World, niver e etc... Parte 2

Continuando...
No nosso segundo dia em Gold Coast fomos ao Sea World!
Foi muito legal, apesar de não ter muuuita coisa pra fazer.
Vimos os bichos, as apresentações, andamos na montanha russa, no jet-ski doido, na montanha russa de novo, e por aí vai.


O Sea World de Gold Coas tem o maior tanque de tubarões do mundo, e tem uns bichos gigantescos lá dentro!!!

Pra imaginar o tamanho, aquele é um dos tanques de acrílico que as pessoas ficam
dentro pra ficar mais perto dos tubarões

Show dos golfinhos

Adorando minha camera a prova d'agua :)

O bicho com o semblante mais triste que já vi na vida
Bom, dessa vez não tenho muita coisa pra falar, tem que ir lá e ver, vale a pena :)

Até a próxima

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Baleias, Sea World, niver e etc... parte 1

Bom dia, boa tarde, boa noite!
Primeiramente quero pedir desculpas por ter demorado tanto tempo pra postar, correria + preguiça de escrever aqui quando tenho tempo dá nisso.
Enfim, há alguns dias fui pra Gold Coast com meus amigos ver baleias *_* Foi muito bom, de manhã cedinho pegamos um trem até Helensvale Station e lá pegamos um ônibus pra Main Beach, onde fica o Sea World e o iate que leva a gente pra observar as baleias. Ficamos no YHA Surfers Paradise Hostel, que é ali pertinho, lugar muito bom, limpo e barato, gostei.


Gold Coast é lindaaaa parece Miami, com praias maravilhosas, carrões por todo lado, hotéis suntuosos, mas também uma beleza natural incrível, com algo que eu chamaria de restinga (parece muito com a nossa restinga).
Enfim, voltando às baleias, foi demais! Apesar de elas não terem chegado tããão perto do nosso iate e nem feito aquelas acrobacias lindas, deu pra ver super bem, e lá no finalzinho uma delas ficava agitando a nadadeira peitoral como se estivesse dando tchau!

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae)
Splash!
Mãe e filhote :)
À tarde fomos passear na praia, andamos, andamos, andamos, nos perdemos, andamos mais um pouco até o por do sol, e ainda vimos golfinhos durante a volta.
Pude colocar meus pés no Pacífico pela primeira vez, apesar da água geladinha, já que estamos no inverno, estava bem mais quente que em Floripa!

Águas transparentes do Pacífico
No dia seguinte acordamos bem cedinho pra ver o nascer do sol na praia, lindo demais. Depois fomos tomar café da manhã no shopping perto de casa, e pra minha surpresa, o pessoal comprou um muffin e colocou uma velinha pra cantar parabéns adiantado pelo meu aniversário :) Fiquei até emocionada, tentando não chorar ^^

Depois de descansarmos um pouquinhos fomos ao Sea World, mas vou falar dele e colocar fotos depois, agora vou dormir que estou cansadona.
Beijos =****